segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Entre um canapé e um copo de vinho....Um poema

Por entre um copo de vinho françês
E um canapé escolhido ao acaso
Ela olha em volta e vê
Uma estética aparentemente correcta
Um cinismo em cada frase prevê

Sabia que não tinha trazido algo
Verificou na mala e nada faltava
O que seria? Pareçe tudo tão vago
Depressa a ansiedade se apoderou
Na iminência, um enorme estrago

Só se lembrava daquela carta
Pisada por um agrafador vermelho
Das palavras só pequenos sussuros
E como a verdade crua de um espelho
De repente tudo fazia sentido

No único banco daquele jardim
Com um ar romano e árvores verdejantes
Para ele o contentamento escapou-se
Entre aqueles cabelos asfixiantes
Por entre a sua façe pura, que enganadora

O medo já há muito superou
No dia em lhe deixou a carta aberta
Onde dissera tudo o que foi, o que é e o que seria
Se um dia ela fosse dele tudo mudaria
Mas na sua resposta só silêncio havia

Mal ele sabia do que acontecera
Da sua fuga monumental e brava
Cuja a única voz que lhe importava, lhe gritava:
“A coisa mais divina neste mundo,
É viver cada segundo como nunca mais”

Rajá
Entregue a 20-07-2009, 16h06

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